10 de agosto

  • Dia da Enfermeira
Nascimento
Falecimento


1823 — Nasce Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias nasceu em Caxias, Maranhão, em 1823. Filho de um comerciante português e de uma mestiça (cafuza), cursou Direito em Coimbra, onde teve contato com as obras de Almeida Garrett e de Alexandre Herculano, por volta de 1840. Retornou ao Brasil em 1845 e se dedicou ao magistério, no Colégio Pedro II.

Considerado pela crítica o primeiro poeta “autêntico” do Romantismo, os temas predominantes em sua obra são o amor, a natureza, Deus e o índio. Foi grande idealizador deste último, tomando como matéria de poesia o mito do bom selvagem (formulado pelo pensador pré-romântico Jean-Jacques Rousseau).

Seus versos marcam-se pelo ritmo ágil e pela linguagem precisa; pela brevidade e pela cadência fortemente destacada; pelo equilíbrio entre expressão e construção, entre forma e conteúdo. Enlaçam-se, em sua superior vocação lírica, pensamento e sentimento, inteligência e sensibilidade, experiência e inspiração. Nela, a emoção é indubitavelmente valorizada, porém, comandada e contida pelo bom gosto e pela razão.

Entre outras funções, exerceu a de oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Após uma expedição ao Amazonas, como etnógrafo, retornou doente, buscando cura na Europa, onde permaneceu de 1862 a 1864. Morreu na viagem de regresso, no naufrágio do navio Ville de Boulogne, já bem próximo às costas do Maranhão.

Principais obras

Teatro (em prosa): Patkull (1843); Beatriz Cenci (1843); Leonor de Mendonça (1847).
Poesia: Primeiros Cantos (1846); Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848); Últimos Cantos (1851); Cantos (1857); Os Timbiras (1857).

Canção do Exílio

Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühen?
(…)
Kennst du es wohl? —Dahin, dahin!
Möcht’ich (...) ziehn. (*)
Goethe

(*) “Conheces a região onde florescem os limoeiros?
Laranjas douradas ardem no verde-escuro da folhagem.
(...) Conheces bem? – Para lá, para lá!
Eu desejaria ir.”

Esses versos do grande poeta alemão Goethe, que viveu entre 1749 e 1832, fazem parte de um célebre poema, Mignon, no qual se fala de um país fabuloso, completamente idealizado. Dentro do Romantismo brasileiro, Gonçalves Dias construiu um poema sobre um Brasil idealizado pela dor da saudade, “Canção do Exílio”, que podemos ler abaixo.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Coimbra — julho, 1843 (Primeiros Cantos)


1912 — Nasce Jorge Amado

Jorge Amado, renomado escritor brasileiro, nasceu em Itabuna (Bahia), em 10 de agosto de 1912. Iniciou a carreira literária aos 14 anos, quando ajudou a fundar a Academia dos Rebeldes, um grupo de jovens que participou da renovação das letras baianas.

Foi repórter no Diário da Bahia entre 1927 a 1929 e escreveu a revista literária A Luva. Em 1930, publicou a novela Lenita, em parceria com Dias da Costa e Édison Carneiro. Seus primeiros romances foram O País do Carnaval (1931), Cacau (1933) e Suor (1934).

Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1935, porém não exerceu a profissão. Em 1939 foi redator-chefe da revista Dom Casmurro. Entre 1935 a 1944 escreveu os romances Jubiabá, Mar Morto, Capitães de Areia, Terras do Sem-Fim e São Jorge dos Ilhéus.

Durante o regime getulista, Jorge Amado foi exilado e morou na Argentina, Uruguai, Paraguai e em Tchecoslováquia. Voltou ao Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e passou a escrever a coluna Hora da Guerra, no jornal O Imparcial. Tempos depois, mudou-se para São Paulo, e administrou o diário Hoje.

Em 1945, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Constituinte de 1946 e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Foi o responsável por diversas leis relacionadas à cultura.

Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras. Na década de 60, lançou A Morte de Quincas Berro d’Água, Os Velhos Marinheiros, ou Capitão de Longo Curso, Os Pastores da Noite, Dona Flor e seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. Em seguida, vieram as obras Teresa Batista Cansada de Guerra, Tieta do Agreste e Farda, Fardão, Camisola de Dormir.

Tamanha é sua importância na literatura, que suas obras já foram traduzidas para 48 idiomas, e adaptadas para o cinema, rádio, televisão e até quadrinhos. Casado com Zélia Gattai, também escritora, Jorge Amado morreu em 6 de agosto de 2001, em Salvador, vítima de uma parada cardiorrespiratória, aos 88 anos. 


1995 — Morre Florestan Fernandes

O sociólogo Florestan Fernandes nasceu em 1920, na cidade de São Paulo. Sua mãe, Maria Fernandes, imigrante portuguesa analfabeta, que trabalhou como empregada doméstica e lavadeira. Devido às dificuldades da família, Florestan começou a trabalhar aos seis anos, interrompendo os estudos na 3ª. série e retomando-os somente aos 17 anos, no ensino supletivo. Trabalhou em açougue, padaria e laboratório farmacêutico; foi engraxate, auxiliar de marceneiro e de barbeiro, garçom e cozinheiro.

Em 1941, ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Graduou-se em 1943, a seguir, apresentou a pesquisa A Organização Social dos Tupinambá, para obtenção do título de mestrado, e o doutorado foi adquirido com a defesa do trabalho A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá, a livre docência com Ensaio sobre o Método de Interpretação Funcionalista na Sociologia, e, finalmente, A Integração do Negro na Sociedade de Classes foi sua tese para o título de catedrático, substituindo o professor francês Roger Bastide na cadeira de Sociologia I da USP.

Na Universidade, além de se dedicar ao estudo de temas relacionados à formação da sociedade brasileira propriamente, aprofundou-se na pesquisa de autores universais como Weber, Durkheim, Engels e Karl Marx. A defesa do ensino público de qualidade foi outra de suas bandeiras, e estava diretamente associada a sua luta pela democratização plena do País.

Por causa de seu engajamento e espírito combativo diante das desigualdades sociais, foi perseguido, preso pela ditadura militar e exilando-se no Canadá.

Fernandes, que atuou a vida toda como professor. Destacou-se também na política, sendo eleito deputado federal por duas vezes (1986 e 1990) pelo Partido dos Trabalhadores. No parlamento, se dedicou a defender as causas dos menos favorecidos, sem nunca abandonar o tema Educação.

Morreu em 1995, em sua cidade natal, vítima de embolia gasosa maciça, por causa das complicações causadas por uma hepatite contraída em transfusão de sangue.