25 de novembro

  • Dia Internacional do Doador de Sangue
Nascimento
Outros fatos


1845 — Nasce Eça de Queirós

“Eu sou apenas um pobre homem de Póvoa do Varzim.” Assim se apresentava José Maria Eça de Queirós. Em 1866 formou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra. Exerceu a profissão influenciado pelo pai, que era juiz de direito.

 

Ligou-se aos realistas em Lisboa, no grupo Cenáculo. Viajou, em 1869, para o Egito; participou, em 1871, das Conferências do Cassino; foi para Leiria, como administrador do conselho. Em 1873 foi como cônsul para Havana; viajou pela América e, finalmente, seguiu para a Inglaterra e depois para a França, onde, já casado, faleceu em 1900.

strong>Obrasstrong>
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strong>a) Primeira fase:strong>strong> de 1866 a 1875. Há apego romântico e fantasioso. Escreveu folhetins na Gazeta de Portugal, posteriormente reunidos no volume Prosas Bárbaras. Ainda a essa fase pertencem O Mistério da Estrada de Sintra, romance originalíssimo, escrito em parceria com Ramalho Ortigão. Eça estava em Lisboa. Ramalho, em Liz. Durante dois meses, sem nenhum plano da obra, cada escritor remetia um folhetim ao jornal Diário de Notícias, continuando o enredo. Também da primeira fase é Uma Campanha Alegre, coletânea de seus artigos publicados em As Farpas— periódico de combate, que analisava e criticava Portugal em todos os setores de atividade: política, educação, arte, literatura, saúde, finanças.

 

strong>b) Segunda fase:strong> de 1875 a 1888, quando Eça se integra na técnica realista (“Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”), e aparecem os romances:

 

strong>O Crime do Padre Amarostrong>strong>

strong>Esse livro é o introdutor do romance realista em Portugal. A obra tem a preocupação de fixar instantâneos da vida provinciana. A sociedade leiriense é o cenário, com os serões da sra. Joaneira. Romance malicioso, farto de observações agudas e belos quadros psicológicos. O herói é o padre Amaro, que mantém relações íntimas com Amélia, e depois a abandona.

 

strong>O Primo Basíliostrong>strong>
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strong>Análise da família burguesa. Nesse romance, Eça cria tipos definitivos. O conselheiro Acácio, que é o formalismo oficial: “Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto, aguçado no queixo, ia-se alargando até a calva, vasta e polida, um pouco amolgada no alto. (…) Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. (…) Fora, outrora, diretor-geral do Ministério do Reino e sempre que dizia ‘El-Rei!’ erguia-se um pouco na cadeira. Seus gestos eram medidos, mesmo ao tomar rapé. Nunca usava palavras triviais, não dizia vomitar, fazia um gesto indicativo e empregava restituir.” Luísa, a heroína que se entregara, durante a ausência do marido, aos amores de um primo conquistador, Basílio, encarna o papel da adúltera que sofre desesperadamente. Juliana, a criada, que “personifica o descontentamento azedo e o tédio da profissão”, possuía cartas comprometedoras da ama, e explorou plenamente a situação, pondo a patroa no trabalho e maltratando-a. Eça declara: “A família lisboeta é produto do namoro, reunião desagradável de egoísmos que se contradizem, e, mais tarde ou mais cedo, são centros de bambochata. Uma sociedade sobre essas falsas bases não está na verdade: atacá-la é um dever”.

 

strong>O Mandarimstrong>strong>

strong>Romance de influência orientalista. As lutas de consciência travadas em um homem que substitui o trabalho pelo enriquecimento inescrupuloso.

 

strong>Os Maiasstrong>strong>

strong>Romance de crítica social, último da série pertencente à segunda fase do autor. É a história do amor incestuoso de Carlos da Maia com sua irmã, Maria Eduarda, e, ao mesmo tempo, uma ampla crônica da alta sociedade lisboeta. Se, em O Crime do Padre Amaro (1875), Eça focalizou a vida devota da Província, e, em O Primo Basílio (1878), retratou a classe média da capital, com Os Maias (1888) o escritor retrata a vida das altas esferas da política, do governo, da aristocracia e dos literatos, em meio a jogos e festas.

 

A terceira fase da trajetória de Eça de Queirós constitui uma profunda reviravolta em alguns elementos importantes da fase anterior.

 

strong>c) Terceira fase:strong> a partir de 1897. É considerada a fase de maturidade, em que Eça retorna aos valores tradicionais portugueses. Sua obra, agora, tem preocupação moral. A sátira corrosiva é substituída por uma ironia condescendente. Em lugar do pessimismo, entra um otimismo esperançoso. Abandonam-se os esquemas naturalistas. Pertencem a essa fase os romances:

 

strong>A Ilustre Casa strong>strong>destrong>strong> Ramiresstrong>

Publicado em 1897, e de forma completa em 1900, o romance confronta a realidade do século XIX com o universo heroico e fantasioso dos romances da Idade Média. Desse contraste surge, por um lado, a ironia e, por outro, o sentimento de amor à terra, à gente e à paisagem portuguesa.

Em strong>A Ilustre Casa destrong> Ramires ocorrem duas histórias paralelas: a primeira é a história central, ambientada no século XIX, que focaliza os valores da aristocracia decadente, representada pelo protagonista Gonçalo Mendes Ramires; a segunda é a novela medieval, escrita por esse mesmo protagonista, que narra a vida de seu antepassado, Tructesindo. Temos assim uma história dentro da outra. Ambas são narradas em terceira pessoa, por narradores oniscientes. As diferenças estão no comportamento dos dois personagens (o primeiro é covarde e ganancioso, e o segundo, heroico e honrado), no tempo (século XIX e XII) e na linguagem das duas narrativas (a primeira é realista, e a segunda, de caráter épico, parodia os romances históricos, à moda de Herculano).

No final do romance, Gonçalo parte para a África em busca de fortuna, viagem que significará sua redenção moral e, numa alegoria ao antigo império português de ultramar, a renovação das energias ancestrais do país.

 

strong>A Cidastrong>strong>destrong>strong> e as Serrasstrong>

Publicado em 1901, um ano após a morte do autor, A Cidade e as Serras é seu último romance, desenvolvido a partir do conto “Civilização” (1892). Desencantado com a civilização urbana, Eça compõe um hino à natureza e à vida rural. Como o próprio título indica, a obra baseia-se em uma antítese, dividindo-se em duas partes. A primeira, que vai até a metade do capítulo oitavo, narra a vida de Jacinto em Paris. A segunda, que encerra a obra, relata a ida de Jacinto para o campo e seu encontro com os ideais da vida rtttt


1964 — Promulgado o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue

O presidente da República Castello Branco assina o decreto que promulga o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue.

 

O Brasil necessita diariamente de 5.500 bolsas de sangue. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o ideal para suprir toda a necessidade seria que 5% da população (anualmente) fossem doadores, porém apenas cerca de 1,76% assumem esse compromisso.

 

A falta de instrução coloca-se como obstáculo para que as pessoas compreendam o significado e a importância do sangue para a recuperação do organismo e para a preservação da vida.

 

Outro aspecto da questão sangue e cidadania está relacionado às cadeias de transmissão de doenças infecciosas, principalmente as que ocorrem pelo contato sexual. Cidadãos que se tornam doadores voluntários e permanentes adquirem informações que desenvolvem a consciência da preservação da saúde. Visto por esse lado, se uma comunidade conseguisse cadastrar uma parcela próxima a 4% de seus cidadãos como doadores voluntários e permanentes estaria formada uma cadeia sanitária que naturalmente se contraporia à cadeia da transmissão, o que contribuiria para a redução de doenças.

 

É sempre bom lembrar que muitas pessoas, por um motivo ou outro, acabam em situações entre a vida e a morte. Muitas vezes, a salvação está em uma transfusão de sangue, que nem sempre é possível por falta de doadores.

 

strong>Pré-requisitos para doadoresstrong>
Ter entre 18 e 60 anos, peso mínimo de 50 kg, boas condições de saúde, estar alimentado, dormir pelo menos seis horas na noite anterior, documento de identificação (R.G. ou equivalente), não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas, respeitar o intervalo para doações: 60 dias para homens e 90 para mulheres.

 

strong>Não podem ser doadoresstrong>
Grávidas (a mulher deve esperar três meses depois do parto normal; em caso de cesariana, o intervalo aumenta para seis meses), quem teve doença de Chagas ou malária, quem teve hepatite após os 10 anos, quem tem comportamento de risco para a AIDS (relações homossexuais ou bissexuais, múltiplos parceiros, hábitos promíscuos, usar ou ter parceiros usuários de drogas ou tóxicos).