9 de maio

  • Dia da União Européia (UE)
Outros fatos


1605 — Publicação da primeira parte de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes

Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em Alcalá de Henares, Espanha, presumidamente em 29 de setembro de 1547, filho de D. Rodrigo e D. Leonor de Cortinas. Nasceu em uma família nobre, mas pouco provida de bens materiais.

Não se pode afirmar que Cervantes tenha cursado na Universidade de Salamanca os estudos oficiais daquela época. Sabe-se, no entanto, que realizou estudos literários e que foi aluno do presbítero João Lopes, de Hoyos.

Ao escrever Dom Quixote de la Mancha (publicado em 1604 com data de 1605), Miguel de Cervantes pretendia ridicularizar os livros de cavalaria, muito populares naquela época por narrarem histórias fantásticas, cheias de personagens com ações pomposas. Dom Quixote, o personagem principal, é um nobre enlouquecido em virtude da leitura frequente daquelas obras. Ao perder a razão, saiu pelas vizinhanças para defender os fracos, punir os cruéis e devotar-se à donzela de seu coração, Dulcinéia. O humor permeia a obra: acompanhado de seu fiel escudeiro Sancho Pança, Dom Quixote envolve-se em trapalhadas, confunde moinhos de vento com gigantes, taverneiros com nobres e termina, quase sempre, com o corpo cansado e os sonhos inalterados.

No livro, o protagonista representa o lado espiritual e nobre da natureza humana, o amor pela honestidade e pelo ideal, tão valorizados nos romances de cavalaria. Já Sancho Pança, cheio de responsabilidades e preocupações, vive num mundo real, oposto ao de seu amigo. A amizade entre o cavaleiro e o escudeiro é considerada uma das manifestações de maior respeito entre personalidades diferentes já descritas na literatura.

Talvez pelo modo como equacionou imaginação e realidade, Cervantes ficou conhecido como um dos maiores escritores da história. Ao construir o plano imaginário, ele manteve a estrutura do mundo real, e conseguiu isso por meio do amor que Dom Quixote dedicava a seus sonhos. Neles, o cavaleiro vive como se aquela fosse a única maneira de ver o mundo.

A última linha do livro publicado em 1605, Forse altro canterà con miglior plectio (Talvez outro cante com melhor ponta), lança o desafio para que se continue a história. Como Cervantes, ao publicar o primeiro livro, já se encontrava em idade avançada, e como parecia pouco provável que ele continuaria a escrever as aventuras, Alonso Fernández de Avellaneda aceitou o desafio e publicou um livro em 1614, dando continuidade a elas. Tal fato forçou Cervantes a acelerar a publicação da continuação legítima, ocorrida em 1615. Nela se encerra a carreira do “Cavaleiro da Triste Figura”.

Dom Quixote se revela um pouco mais a cada leitura: a Espanha do século XVII se descortina; são evidenciadas as relações humanas complicadas pela recente expulsão dos mouros, a vida dos camponeses, suas dificuldades, suas relações com os senhores feudais e com a aristocracia decadente. Em cada leitura também se pode observar como as descrições são incrivelmente engraçadas, e como o livro lança críticas aos mais diversos alvos, desde os nobres aos religiosos. E, mais claramente, são percebidas a grandeza e a mesquinhez dos dois personagens principais, e isso os faz demasiadamente humanos.

Miguel de Cervantes morreu em Madri, em 23 de abril de 1616. Dom Quixote foi traduzido para diversos idiomas e, além desse famoso romance, ele escreveu também poemas e textos para o teatro.


1950 – É divulgada a Declaração Schuman

No dia 9 de maio de 1950 foi apresentada à imprensa europeia, em coletiva realizada em Paris, a Declaração Schuman, proposta que previa a criação de uma Europa comunitária, organizada e unida. Este fato marca o início da atual União Europeia. Em razão disso, a data também ficou conhecida como o Dia da Europa.

O texto redigido pelo político francês Jean Monnet, lido e comentado pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Robert Schuman, propunha a criação de uma organização internacional que, a princípio, seria incumbida de gerir a produção das matérias-primas carvão e aço, como base da economia europeia, e de cultivar uma relação estreita e pacífica entre os países.

A partir daí, em 1951, foi assinado o Tratado de Paris que estabelecia a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Seis anos depois, instituíram pelo Tratado de Roma, a Comunidade Econômica Europeia (CEE).  Por fim, em 1992, através do Tratado de Maastricht, passou a ser denominada Comunidade Europeia (CE). Nesse tratado também foi oficialmente criada a União Europeia (UE). 

Com a criação da UE, a Comunidade Europeia (antiga CEE), tornou-se um dos três pilares que mantêm essa organização, juntamente com a Política Externa e de Segurança Comuma> (PESC) e a Cooperação policial e judiciária em matéria penala> (CPJP).

O Tratado da União Europeia entrou em vigor oficialmente em 1º de novembro de 1993. Atualmente a organização, formada por 27 estados membros, unificou os mercados, adotou o Euro como moeda (apenas 16 países dos 27 membros) e políticas agrícolas, de pesca, comercial e transporte comuns.