O artista Alfredo Volpi


Alfredo Volpi nasceu na cidade de Lucca, Itália, em 14 de abril de 1896. Era filho de comerciantes, que imigraram para o Brasil e se estabeleceram em São Paulo, no bairro do Cambuci. Volpi era um bebê de apenas 18 meses quando aqui chegou.

O garoto foi crescendo e apresentava uma nítida vocação para lidar com tintas, especialmente para misturá-las, criando inúmeras cores. Aos 16 anos, começou a trabalhar como pintor decorador de paredes nos ricos casarões da capital paulistana. Perto dos seus 18 anos, passou a pintar quadros da paisagem rural da cidade de São Paulo. Surgia, então, aquele que, conhecido pela utilização de cores vibrantes, viria a se tornar um dos maiores pintores que nosso país já conheceu.

Tudo leva a crer que a primeira pintura de Volpi foi feita com tinta a óleo sobre a tampa de uma caixa de charutos, depois foi a vez de soltar a imaginação em retratos, casarios e a natureza, simplesmente pelo gosto de pintar, sem seguir nenhum estilo nem ter freqüentado nenhuma escola de arte, uma vez que Alfredo Volpi era autodidata.

Sua primeira exposição aconteceu em 1925 e recebeu várias críticas, rendendo ao pintor a venda de um quadro. Mesmo assim, Volpi não desistiu do ofício, até que, três anos depois, o reconhecimento veio em forma de medalha de ouro no Salão de Belas Artes Muse Italiche.

Em 1934, um grupo de pessoas, de profissões variadas que compartilhavam o amor pela arte, passou a reunir-se em um prédio chamado Palacete Santa Helena, localizado na Praça da Sé, em São Paulo. Nesse grupo, que ficou conhecido como Grupo Santa Helena, estava Volpi, que trocava informações sobre arte, além de usufruir sessões com modelos posando ao vivo.

Embora o Santa Helena estivesse um pouco afastado do meio artístico da época, os artistas participaram em outubro de 1936 de uma exposição chamada Pequenos Quadros, atraindo, assim, a atenção de pintores mais experientes e abrindo caminho para o reconhecimento artístico.

Em 1937, Volpi passou a fazer parte de um outro grupo chamado Família Artística Paulista. Fundado por um arquiteto, Paulo Rossi Osir, que também pertencia ao Santa Helena, nesse grupo os artistas começaram a ganhar espaço no meio artístico.

Em 1940, Paulo Rossi Osir criou uma empresa de azulejaria, que primeiramente reproduziu os azulejos desenhados por Cândido Portinari. Os azulejos serviriam para revestir o prédio do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Volpi criava e pintava azulejos nesse ateliê, não demorou para tornar-se uma espécie de chefe.

Alfredo Volpi começou a despontar no meio artístico aos 48 anos, quando fez sua primeira exposição individual. As pinturas apresentavam desenhos que utilizavam a geometria com cores fortes. Temas populares, como as famosas bandeirinhas, barcos, luas, fitas, compunham a imaginação daquele pintor, que tinha um jeito inventivo a ponto de preparar sua própria tinta com uma técnica muito antiga chamada têmpera a ovo: ele misturava o pigmento (substância que dá cor à tinta) a uma gema de ovo com um conservante.

Olha só

Alfredo Volpi ganhou fama e dinheiro. Mas, pouco apegado a isso, muitas vezes destinava seu lucro às crianças e pessoas necessitadas que passassem por sua casa. Aliás, a casa de Volpi, de Judith, sua esposa, e de Maria Eugênia, sua filha, era um lugar aberto às crianças. Volpi gostava de se ver entre elas. Tanto é verdade que certa vez, ao ser convidado a ter suas pinturas reproduzidas em um livro para crianças, disse: “O que eu mais queria na vida era ver minha obra nas mãos das crianças”.